Se para boa parte da população os últimos meses do ano significam gastos extras com festas, presentes e viagens, para alguns senhores que têm em comum características como abdome arredondado, barba branca e olhar carinhoso, a proximidade do Natal é sinal de renda extra. Em Santa Maria, fazer o papel de Papai Noel no fim do ano é uma atividade valorizada. Além do retorno financeiro, os profissionais do ramo atribuem à alegria e à pureza das crianças o grande pagamento. Por enquanto, a crise ainda não deixou os Bons Velhinhos da cidade sem trabalho.
Os valores cobrados pelos mais solicitados varia. Nos shoppings, a hora varia de R$ 20 a R$ 30. Já as visitas na noite de Natal vão de R$ 120 a R$ 250, dependendo da localização. O período de trabalho também é variável.
No Royal Plaza Shopping, o veterano Laszlo Orosz, 64 anos, começou a atividade no dia 5 de novembro. No Monet Plaza Shopping, a poltrona vermelha alargada está ocupada, há duas semanas, pelo Papai Noel Sildomar Machado, 52. Já no Santa Maria Shopping, o trabalho de Cláudio Renato da Silva, 63, começa no dia 5 de dezembro. Já o free-lancer Narciso Rodrigues reserva para dezembro as visitas voluntárias e remuneradas.
Para Silva, a remuneração no shopping somada às visitas a festas e casas de famílias no dia 24 rendem a viagem de férias de cada ano. O caminhoneiro aposentado e pequeno comerciante que assume o papel de Bom Velhinho também faz planos de adquirir um trenó:
Quero ajudar a entregar presentes para crianças carentes.
Para os Papais Noéis, o maior pagamento é o abraço dos pequenos:
Depois que comecei, o Natal teve outro significado. Antes, via como uma data comercial. Agora, vejo como um período de alegria, de união das famílias, de deixar as brigas de lado relata Machado, que começou em 1999 acolhendo os visitantes do Parque Oásis.
Quando não está vestindo a roupa vermelha, ele trabalha em uma estofaria própria.
Sotaque europeu
Para Narciso Rodrigues, que é funcionário público, as soliciações de trabalho diminuíram um pouco, mas a expectativa é aumentar a procura nas próximas semanas.
A questão financeira está complicada para todo mundo e isso reflete no nosso trabalho reconhece.
No Royal, as crianças ganham balas e conselhos de um Papai Noel com sotaque europeu. Mas não é da Lapônia. Laszlo Orosz é húngaro e mora no Brasil há 15 anos. Imigrado como representante comercial e técnico em manutenção de máquinas de Raio X, acabou criando raízes em Santa Maria. Por sugestão de um cunhado, resolveu resgatar a experiência iniciada na terra natal.
Desse serviço, eu não vou me aposentar. A primeira criança tem a mesma atenção que a última, tenho muita alegria em conversar com elas revela.